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Vizinho chato é desvantagem maior de morar em condomínio

Clipping do Dia: 01/12/2017

Publicado em: 26/11/2017

 

Pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 12 de agosto e ouviu 493 pessoas das classes A, B e C em todas as regiões da cidade

Os vizinhos chatos são a principal desvantagem de morar em um condomínio, mostra pesquisa realizada pelo Datafolha. Segundo os paulistanos, quem mora ao lado está em primeiro lugar na lista de irritações, com 9% das respostas. Na sequência, vêm itens como valor do condomínio (8%), barulho (8%) e falta de área de lazer (8%).
 
A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 12 de agosto e ouviu 493 pessoas das classes A, B e C em todas as regiões da cidade.
 
A historiadora Micaela Garcia, 28, sabe bem o que é ter problemas de convivência no prédio. Ela mora com o marido e a filha em um apartamento de 50 metros quadrados na Vila Prudente, na zona leste da cidade, logo em cima do salão de festas do condomínio. Um vizinho, conta ela, costuma ultrapassar os horários acertados na reunião de moradores.
 
"Já houve festas com mais de 150 pessoas que foram até de madrugada. Quando reclamamos, ele debochou dizendo que podíamos chamar a polícia", lembra.
 
Segundo Renato Tichauer, presidente da Assosíndicos (Associação dos Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo), os moradores costumam procurar os síndicos em um primeiro momento, mas não são em todos os casos que eles conseguem resolver o problema.
 
"Nós tentamos intermediar e fazer um gerenciamento do conflito. Mas quando não se chega a um acordo, o caso pode parar na Justiça", diz.
 
A advogada Carol Marinho Martin, 34, resolveu processar a vizinha no final de 2015 por causa de gritarias no apartamento.
 
Como trabalha em casa, não conseguia fazer ligações durante o dia e também tinha problemas para dormir.
 
O processo foi encerrado apenas em junho do ano passado, em uma audiência de conciliação.
 
"Ela foi multada duas vezes pelo condomínio, mas não adiantou. Entrei na justiça e pedi R$ 15 mil de indenização por danos morais, mas acabamos entrando em um acordo e ela se comprometeu a parar com os barulhos", conta.
 
ESPAÇO DIVIDIDO
 
Além das reclamações tradicionais, como o barulho excessivo e problemas com animais, o aumento das áreas comuns e dos serviços compartilhados nos edifícios paulistanos nos últimos anos se tornou um agravante para as disputas entre vizinhos.
 
"Como os condomínios passaram a ter mais espaços de lazer, as pessoas estão usando as áreas comuns para fazer atividades do cotidiano, como ginástica, cursos e recepção de convidados. Isso contribui para ampliar o choque entre moradores", diz José Roberto Graiche Júnior, diretor jurídico da AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo).
 
"São muitas pessoas utilizando o espaço na mesma hora. Vários moradores na academia ao mesmo tempo, com três personal trainers diferentes, pode gerar uma área de conflito", explica.
 
Para ele, outro novo fator que contribui com as brigas é o uso da internet para divulgar as reclamações. "As discussões ficam mais acaloradas nas redes sociais e nos grupos de Whatsapp do condomínio, porque é mais fácil escrever do que falar pessoalmente. Isso acaba expondo as pessoas e até mesmo o edifício", alerta.
 
Em alguns casos, o problema também pode estar com o morador que reclama de tudo. Mirella Machado, 26, que mora com o namorado e um amigo, precisou desconectar o interfone por conta do excesso de queixas.
 
"O vizinho de baixo nos acordava durante a madrugada ou ligava quando estávamos almoçando para reclamar de barulhos que ninguém estava fazendo. Comecei a ter crises de ansiedade ao escutar o interfone e preferi desligar da parede", diz.
 
Tichauer, da Assosíndicos, lembra que muitas vezes as pessoas confundem a origem do barulho e acabam incomodando os vizinhos. Para ele, é preciso ter certo nível de tolerância durante o dia e respeitar o Psiu (Programa Silêncio Urbano), da prefeitura, que proíbe ruídos das 22h às 7h em zonas residenciais.
 
"Quando você decide morar em condomínio, sabe que está dividindo o espaço com mais pessoas. Algumas coisas podem incomodar, e as pessoas precisam aprender a conviver e resolver os problemas pacificamente", afirma.

 

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