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Um terço dos paulistanos acha que nenhum bairro é melhor que o dele

Clipping do Dia: 15/12/2017

Publicado em: 10/12/2017

 

Boa avaliação pode ser explicada por dois fatores –a relação próxima dos paulistanos com seus bairros e o desconhecimento de outras regiões da cidade

Para 35% dos paulistanos, seu bairro é o melhor da cidade, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha. Outros 49% consideram seu bairro igual aos demais e apenas 13% avaliam a região onde moram como pior que o resto da capital.
 
A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 12 de agosto e ouviu 493 moradores.
 
A boa avaliação pode ser explicada por dois fatores –a relação próxima dos paulistanos com seus bairros e o desconhecimento de outras regiões da cidade, segundo Guilherme Paoliello, professor da Escola da Cidade.
 
"Como a locomoção na cidade virou um grande problema, as pessoas estão acostumadas a fazer tudo perto de casa e não conhecem outras opções", afirma Paoiello.
 
É o caso do analista de logística Luís Andreazza, 38. Ele mora no Ipiranga, na zona sul, desde que nasceu. "Meus avós moraram aqui durante 70 anos. Então eu conheço todos os vizinhos e tenho um convívio muito bom com os moradores mais antigos", conta.
 
Essa relação próxima com os vizinhos e a construção de uma rotina ao longo de décadas numa mesma vizinhança ajudam a construir uma sensação de pertencimento que influencia a forma como o morador vê seu bairro, segundo o professor Paoliello.
 
MICROCIDADE
 
A artista plástica Solange Rossi, 57, que mora com o marido e os filhos há 20 anos em Perdizes, na zona oeste, diz sentir-se em uma cidade do interior.
 
"Como São Paulo está cada vez maior, alguns bairros adquirem essa característica de uma microcidade. Aqui em Perdizes, temos uma estrutura tão boa que não é preciso sair para consumir em outras regiões", relata Rossi.
 
A arquiteta Ignez Barretto, 63, também tem uma relação afetiva com a zona oeste. A região é a mais bem avaliada pelos seus moradores –45% deles consideram seu bairro melhor que os demais, segundo a pesquisa Datafolha.
 
"O Alto de Pinheiros é um bairro essencialmente residencial, menos adensado, com muitas áreas verdes e boas escolas. Isso atrai muitas famílias com filhos e faz com que as pessoas não queiram sair daqui", diz Barretto.
 
HERANÇA IMIGRANTE
 
A forte presença de comunidades de pessoas vindas de outros Estados e países também é um fator que contribui com a boa avaliação de um bairro, afirma Rosana Miranda, professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP).
 
É o caso da Mooca, na zona leste, com grande presença de imigrantes italianos e que tem bandeira e hino próprios. A administradora Daniela Oliva Roma, 31, de família italiana, mora no bairro desde que nasceu. "Temos uma paixão muito grande pela Mooca. Meu avô tinha 18 irmãos e grande parte deles ainda vive por aqui. Até hoje nos reunimos aos domingos para fazer macarronada."
 
Segundo Rosana Miranda, esses núcleos de moradores acabam criando espaços acolhedores na cidade e uma rede de solidariedade. "Eles criam um vínculo com a região, se apropriam da história do seu bairro e, com isso, passam a reconhecer aquele lugar como parte deles."

 

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